Sem dúvida, a vida sobre a Terra prosperou bastante bem por 4 bilhões de anos sem "administradores". Os trilobitas e os dinossauros, que em separado andaram por aqui durante mais de 100 milhões de anos, talvez se divertissem com uma espécie que, existindo há apenas mil anos, decide se nomear guardiã da vida sobre a Terra. Essa espécie é, ela própria, o perigo. Os administradores humanos não são necessários (...) para proteger a Terra dos humanos.
Os métodos e os etos da ciência e da religião são profundamente diferentes. A religião frequentemente nos pede que acreditemos sem questionar, até (ou especialmente) na ausência de evidências fortes. Na verdade, esse é o significado central da fé. A ciência nos pede que não aceitemos nada com base na fé, que tenhamos cuidado com nossa tendência a nos enganar, que rejeitemos evidências anedóticas. A ciência considera o ceticismo profundo uma virtude essencial. A religião frequentemente o vê como um obstáculo à iluminação. Assim, há séculos, ocorre um conflito entre as duas áreas - as descobertas da ciência desafiando os dogmas religiosos, e a religião tentando ignorar ou suprimir as descobertas inquietantes.
Mas os tempos mudaram.
Muitas religiões já se acomodaram a uma Terra que gira ao redor do Sol, a uma Terra que tem 4,5 bilhões de anos, à evolução e a outras descobertas da ciência moderna. O papa João Paulo II disse: "A ciência pode purificar a religião, livrando-a do erro e da superstição; a religião pode purificar a ciência, livrando-a da idolatria e dos falsos absolutos. Cada uma pode introduzir a outra num mundo mais amplo, num mundo e que ambas consigam florescer (...). Essa cooperação deve ser alimentada e encorajada".
Em nenhum outro ponto é essa declaração mais evidente do que na presente crise ambiental. Não importa de quem seja a responsabilidade pela crise, não há saída sem a compreensão dos perigos e seus mecanismos e sem um profundo compromisso com o bem-estar a longo prazo de nossa espécie e de nosso planeta - isto é, em palavras bastante precisas, sem o envolvimento central tanto da ciência como da religião.
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